"pertubações de ansiedade", como diz o Google

Eu tenho pensamentos que se espalham pela minha cabeça,
é como um vírus.
Eu tenho esses pensamentos. Que me levantam e me derrubam, num piscar de olhos. Eu penso em morrer. Eu penso. E a vergonha que me cerca é,
a que eu tento me livrar.
Guerra sem fim,
eu contra mim
e ninguém vence… mas sou eu quem perco, porque perco a mim todo dia.
Corro em todos os modos, fugindo da culpa da qual não sou dona. Adianto problemas que nem existem, ou que eu mesma criei.
Mais uma vez eu me adiantei.
Adianto tudo.
Tudo.
Tudo.
Da mesma forma que me arrumo com antecedência sabendo que hão de se atrasar. Eles hão de se atrasar…
Os remédios,
os médicos,
os intermédios,
as tentativas,
as pessoas que amo.
Até o amor vai se atrasar.
Até o amor já se atrasou.
A ansiedade é minha inimiga imaginária que me tem sempre à vista. Ainda vou acabar só, ou ao menos com 1 ou 2 cachorros. Vou beber uma cerveja, fumar na rua, sentar no skate park e ouvir um rap.
Vou ver se acalmo o inferno que é viver com isso.
Ver se me lembro e nunca mais esqueço.

MANIFESTO DA LOUCA VIDA I

Nos princípios de loucura
escolhi manter o foco
amanhã o sol se abre de novo
e eu me renovo
nessas hora isso cura minha dor
e só Deus sabe quantas vezes foi
que o Rap me levantou,
me ensinando a cada verso
que eu posso ir além,
mas muito além de quem eu sou.

Quero manter minha força igual de Ogum
e o coração como o de Xangô
enquanto existir faísca de melhora,
eu vou continuar vivendo
e vendo bem por onde ando,
prestando atenção nas hora
todo dia enxugando meus prantos
acreditando sempre na vitória…

Lembrando das fita do passado,
e da minha mãe que ganhava lavando chão e prato,
hoje sou eu quem pago o nosso Uber pra um jantar no lago.
todo mérito a ela,
Rainha que sempre me inspirou a manter cautela
Nossas cicatrizes são nossas memórias

Carrego as marcas da minha história,
como um fardo de dias de luta e glória.
Na mente,
repleta de coisas que pouca gente entende
e um coração confuso
igual muita gente sente

O mundo tá explodindo lá fora,
meu pavio curto aqui dentro
Agoniado com as hora
e eu buscando força no silêncio
ofuscando erradas ações do tempo
sou meu único sustento agora

Mas muito nesse mundo me inspira
é por isso que mesmo com algumas partes feridas mortas
ainda me sinto viva, vi um poeta escrevendo certo por linhas tortas
por isso nunca me rendi ao mal desde que nasci,
quando eu vim, ele já tava por aqui, então deixei ele ir

minha mãe que me ensinou a se esquivar
Yemanjá me ensinou a me curar no mar
e as batalhas que eu travar
usar meu dom feminino pra lutar.

E que dom…

ontem e anteontem eu morri
mas hoje eu não morro
olhei pro céu e pedi socorro
no meio de um surto louco.

Nesse troço que é a vida,
às vezes me encosto na parede
fumo um cigarro na calma e sem exageros
matando um leão por dia
igual guerreira
às vezes necessito de uma breja na sexta
só que hoje eu luto pra não virar feira.

Observo o tilintar dos copos e
o bilhar de destroços sobre a mesa,
além do brilhar silencioso de tudo o que existe
e o limite inexistente dos corpos,
existem sorrisos que até amarelados pela nicotina
brilham quando tocam minha retina
e me faz arrepiar da pele até os ossos.

Tô buscando fazer bons negócios
escolhendo tá do lado de quem eu gosto
evitando o ócio.

Vejo em mim o mal do século vinte e um
sei que sou só mais uma que tá assim
igual a muita gente que veio de onde eu vim
e leão mata um por um
dia a dia
numa guerra sem fim.

Mas eu tô por mim,
tô por eles também.
Caindo e levantando sempre
buscando ser o meu próprio bem.
sem olhar a quem, tá ligado?

O mundo já tá tão louco,
é por isso que a maldade nunca me excitou.
Tô vestida com as roupas e as armas de Jorge, o guerreiro
e hoje essa poesia eu recito sem rancor
caminhando pelas ruas ouvindo Jorge Ben o dia inteiro.

sempre fui de contar com a fé
nunca fui de contar com a sorte
é por isso que hoje ainda tô de pé
agora eu me sinto até mais forte…

ensaio sobre a solidão

Como poeta
eu sobrevivo à solidão interna
ao alvoroço externo
odeio muvuca
dessas que fazem eu me sentir mais sozinha do que já sou
eu tenho uma vaga lembrança de que
infância é algo sério demais
cresci acreditando que sem dúvida tava assim
solo
passei a ser
viajante sem companhia na ida e na volta
sinto uma vontade imensa de submergir, talvez como num canto bonito, sabe? Desses que arrepia a alma. A única coisa que têm me dado tesão é pensar nisso. Os belos corpos já não me oferecem mais graça. Minha cama é grande, mas pelo visto só me cabe.
Minha mente é fértil, mas pelo visto se limita
a
minha
solitária
evolução
convivências me enlouquecem
enlouquecem
enlouquecem
e quanto mais eu às procuro, mais tenho o que aturar
confesso, tem sido demais
não no bom sentido da coisa.
mas,
quem sabe eu transmuto.
não sei, sabe?
preciso viver esse luto?
qual é o intuito?
Prefiro continuar minha vida doída.

A solidão dos demais é tão dolorida e incompreendida quanto a minha. Por isso, não vejo motivos pra exigir a presença de alguém. Todo mundo quer se olhar no espelho e se ver bem, mas não sabem por onde começar. São inúmeras as tentativas. Será que a vida é (só) isso? Ou será que é bem mais?

Até onde ela pode chegar, sabe?
E por que eu enlouqueço toda vez que bebo?
Agora choro. Quando passa o choro eu tento captar motivos pra explicar minhas lágrimas e não encontro nada. No fim, dor no peito
dor no peito
dor no peito
até não sentir mais nada.
Há tanto me carrego no colo quando me sinto fraca. Quando preciso, desabafo em minha companhia.
Às vezes a gente se joga na lama pra lembrar que a mesma suja as nossas roupas, por mais que seja divertido na hora.

As coisas não precisam fazer sentido toda hora.

ansiolítico

Eu tenho tanto
pra lhe falar
mas certamente
certamente eu não sei
qual o ponto de partida
eu odeio despedidas
que passe bem despercebida
como quando tô bem aqui distraída
correndo e correndo atrás
não sabendo muito bem do quê
mas às vezes tenho certeza
de que algumas coisas vão além do que se vê
isso é tão clichê
clichê pra caralho
baby, mas a verdade é
que… a ansiedade é meu vendaval
numa escala 5, tira minhas raízes do chão
tentar fincar meus pés na terra
nem que seja toda semana
já é tão normal
eu é que não sou
quando tô longe da liberdade sólida
quando me sinto assim
meus pensamentos sórdidos
correm atrás de mim
baby, às vezes eu penso no fim
de tanto procurar a cura
tô quase me tornando sensei
se bem que
eu nada sei
tento aliviar a culpa pelo invisível
tento tento
sem sucesso,
sem sustento de teoria
mas continuo indo.

LUTA COMO CONDUTA

"Eu tô lutando contra a avalanche em minha cabeça pra poder escrever algo que marque a vida de alguém, tipo encontrar uma maneira de falar sobre o que aprendi, não só sobre o que me convém. enquanto tava calada, sem explanar tudo o que eu pensei, não me tornei Sensei mas agora falo só daquilo que sei."

Me inseri de vez nesse caminho.
Caí, me levantei, ressurgi das cinzas,
vivendo em 2 anos o que não viveria em 30.

Me tornei uma versão um pouco melhor,
mas entenda que nunca renasci pra ser digna de dó
e que em vários momentos me tornei só o pó,
enfrentando a mim mesma pra não ser o meu pior.

Vi meu reflexo no espelho,
me perguntei se era eu mesma,
mas tinha dúvida se tava vivendo bem ou só a esmo.

Enquanto meditava sobre isso,
percebi os bico tudo na espreita,
esperando a próxima queda.

e eu disse: me respeita!
Não derrubei muros internos
pra que se transformassem em merda.
e quem me conhece, sabe:
dar o meu melhor em tudo sempre foi a minha meta.

O mundo na febre do rato,
minhas irmãs de luto.
e eu me pergunto:
até quando vamos ter que lutar pra não ser estatística no mundo?

Já se foram muitas…
E a justiça ainda não entendeu:
não adianta cobrar multa de quem nunca aprendeu.

Diante das paredes do meu quarto,
peço quase sem fé.
Falo alto, rezo em pé
pra ver se Deus me escuta
e entende a labuta que é ser mulher.

Sem tiro,
sem grito,
sem desespero.

Quero ter tempo pra viver várias décadas inteiras,
ter tempo pra fazer o meu dinheiro sem medo de morrer cedo demais.

e ter,
tempo pra provar pra mim mesma que:
eu fui lá,
eu lutei,
reinventei.
Quando todo mundo disse que eu não seria o que eu queria,
eu fui lá e mostrei que sim, eu alcançaria.

Assim que eu quero seguir, tá ligada?
Sem sentir medo de nada,
seguindo pela avenida com o queixo erguido, encorajada.

Jamais num meio de um combate esmorecer…
Não penso em adormecer nos braços de Morfeu,
se minha mãe nunca parou de lutar,
quem vai parar não vai ser eu.

quero tá acordada pra realizar meus sonhos reais,
é por isso que até hoje luto pelos ideais.

Quero me tornar eterna,
sempre com a ideia certa.
nem que seja pelo combate nos versos,
ou quando um homem na minha frente amarela.
Plantar esperança nos olhares das pessoas e na vida das crianças.

Ter a paz de sentir um vento no meu rosto,
morrer de orgulho bom e não desgosto.
Mesmo com mais revolta do que nota pra contar.

PROPÓSITOS

Hoje parece mais um dia normal, mas só parece!
injeções letais da vida, que nunca se esquece.
sigo buscando aquilo que me aquece,
fecho os olhos, ajoelho e faço uma prece.

Abro os olhos com a ordem do despertador,
hoje ela me procurou,
mas fechei a porta na cara da dor.
acordei querendo aproveitar a vista do céu.

primeiro cá-fé do dia.

meus demônios gritam…
medito pra ver se deles me livro.
isso é minha armadura, às vezes meu abrigo.
mas, mesmo assim,
de vez em quando me auto-intrigo.

sigo na fé!

No ônibus,
sem lugar pra sentar,
seguindo em pé,
lembro do Rael citando a praça da Sé.
os caminhos não são fáceis, pois é!

mas ninguém disse que seria.

Penso em mim,
na minha mãe,
penso nos meus,
nas minhas irmãs…
às vezes me emputeço até com Deus,
indignação e revolta às vezes me torna ateu.

a vida só é surpresa pra quem nunca viveu.

Vivo discretamente,
lutando pela vida com unhas e dentes…
será que cê me entende?
só se você também sente.

vivo pra enxergar, deixar tudo claro,
procurando um caminho que melhor seduz,
alguma crença que de algum jeito conduz pra luz,
como aquela do sinal da cruz.

Às vezes,
sei…
é difícil erguer a cabeça, olhar pra cima
mas se liga:
atrás de todo edifício existe uma vida.
algo que brilha e faz você brilhar,
algo que apareça pra te fazer (re)acreditar.
reinventar-se, só ou acompanhado.
sigo ensinando coisas quando falo,
aprendendo também sempre que me calo.

seja com alguém ou no silêncio da rua,
sentada sozinha, na beira de uma curva.

as luzes ofuscando e deixando
a sensação de que eu tô delirando
mas por dentro sigo alimentando
o
melhor
de mim.
e é pra isso que eu tô aqui,
pra vencer as lutas do início ao fim.
sempre batalhando pelos que amo e por mim.
cê entendeu?
então,
foi pra isso que eu vim.

VERSO ONDE NINGUÉM MORA

hoje eu acordei meio solitária,
deixei o quarto meio bagunçado e
ontem tava me sentindo mal,
saí e me distraí,
hoje me sinto menos otária,
aleatória…
sei lá.
revivi.
quando eu tô só,
não dou valor pras coisas banais,
são notas inexistentes.
sou mais amante das coisas reais,
consistentes…
deito com elas na cama e me sinto demais.
a cabeça no travesseiro tão tranquila,
sem alimentar qualquer pilha
errada.
coloco os pés no chão e não viajo tanto.
às vezes me derreto
com a lágrima do meu próprio pranto,
me aguentar é meu próprio trampo
não remunerado.
tô remando meu corpo nesse mar doido
como se fosse um barco.
meio aloprada das ideia, meio errada
mas tento acertar deixando
esse mesmo barco à deriva.
mal humorada, cara fechada,
sem tempo, irmão…
tô sem tempo pra papo em vão.
eu chego e me apresento,
tô atenta,
se cê me ligar eu atendo.
se eu tiver ocupada
desligo,
mas não me privo
de nada.